26/01/2009

Passaporte Auditivo


Quase dois anos após a saída do seu último álbum (The Flying Club Cup - 2007) a banda de Zach Condon regressa com um duplo EP com raízes bem distintas. O primeiro, intitulado March Of Zapotec foi gravado no México e conta com a ajuda de The Jimenez Band. No segundo, Holland, temos um regresso aos primórdios, envendrando por um estilo mais electrónico, num registo semelhante às suas iniciais gravações caseiras.

O génio de Condon já nos havia habituado à variedade, acima de tudo, impregnando em Gulag Orkesta toda a armagura, emoção e instrumentalidade balcã e, posteriormente, a suavidade, dor e romantismo parisiense em The Flying Club Cup, apresentando-nos um verdadeiro hino à vida, à terra e aos seus povos nas suas melodias, construindo com o fulgor das trompetes, o bater dos tambores, a viagem de um acordeão ou um suave soar do ukelele, os mais sinceros postais dos locais por onde passa.

Por enquanto, resta-nos esperar de água na boca pelo EP e salivar ao som destas duas melodias já lançadas:








(Beirut- My Night With A Prostitute From Marseille , de Holland, a incursão electrónica)







(Beirut - La Llorona, de March Of Zapotec, o sabor mexicano)
Fotografia por Sergey Chilikov, autor das fotografias usadas na capa e contra-capa de Gulag Orkestar.
Texto por Rita Silva.


Se a Rita vos trouxe o que de Beirut há de novo, eu faço referência aos últimos trabalhos desta banda que, inicialmente, prometia ser um projecto a solo do vocalista, Zach Condon. O folk parece ser, sem dúvida, a principal referência, aliando-se a todo um conjunto de sons que faz lembrar as bandas filarmónicas, transpirando uma musicalidade repleta de energia, efusiva, alegre, como o verdadeiro folk deve ser.
Gulag Orkestar, de 2006, foi o primeiro álbum; depois da descrição que a Rita fez, pouco mais há a acrescentar. Talvez o facto de a banda parecer, neste trabalho, muito mais do Leste da Europa do que dos Estados Unidos, dê um toque muito distinto a toda a música do álbum. Um ano depois chegou-nos The Flying Club Cup, cujas letras são todas da autoria de Zach Condon. Enfim, mais um trabalho muito bem conseguido e cheio de vitalidade. A começar por uma chamada intensa (A Call to Arms), segue-se um rol de músicas fortes e com a sua quota parte de romantismo francês (basta avaliar a imagem que figura na capa).

Não esquecer os EP's lançados, de destacar Elephunt Gun. A primeira vez que ouvi esta música foi na Sic Radical, e devo dizer que facilmente identifiquei a autoria; seja a voz tão distinta de Zach Condon ou o dedilhar do ukulele, é impossível não reconhecer.
Possivelmente, toda esta exuberância que se traduz numa incrível mistura de multicultura, arte, diversidade, ideias e sons, está muito à frente do nosso tempo; pelo menos, se considerarmos que este é o tempo em que vinga a música de fácil digestão. É que Beirut, parecendo que não, prolifera num período musicalmente difícil.



Gulag Orkestar:
"The Gulag Orkestar" – 4:38
"Prenzlauerberg" – 3:46
"Brandenburg" – 3:38
"Postcards from Italy" – 4:17
"Mount Wroclai (Idle Days)" – 3:15
"Rhineland (Heartland)" – 3:58
"Scenic World" – 2:08
"Bratislava" – 3:17
"The Bunker" – 3:13
"The Canals of Our City" – 2:21
"After the Curtain" – 2:54



The Flying Club Cup:
"A Call to Arms" - 0:18
"Nantes" - 3:50
"A Sunday Smile" - 3:36
"Guyamas Sonora" - 3:31
"La Banlieue" - 1:58
"Cliquot" - 3:52
"The Penalty" - 2:22
"Forks and Knives (La Fête)" - 3:34
"In the Mausoleum" - 3:11
"Un Dernier Verre (Pour la Route)" - 2:51
"Cherbourg" - 3:33
"St. Apollonia" - 2:59
"The Flying Club Cup" - 3:05



Ana Luísa.

4 comentários:

Tiago Santos disse...

Penso que se a Ana ouvi-se Guns n'Roses, ficaria com uma melhor capacidade para discutir musica, pois ela não sabe o que perde.

Ana Luísa disse...

Ora, Tiago, após aulas e aulas, (dias inteiros!) a ouvir-te cantar músicas dessa banda, o meu enjoo por ela já ultrapassou todos os limites, por isso, seu reles, apreciava o teu silêncio. Ou muitos murros choveram sobre os teus ombros, muahah!

Se fosse a ti, esquecia November Rain e dedicava-me a Nantes.

Giga disse...

Grande som...

Postcards from Italy e a Nantes são as minha preferidas. Pena o concerto em Portugal não se ter realizado o ano passado

Tiago Santos disse...

Ai Anocas! Anocas! tanta violência relaxa e ouve do que é bom.

Pergunta: só gostas de bandas que tenham nomes de cidades ou tb gostas de outras bandas normais?

Knock! Knock! Knocking...